Três drones doados para a Prefeitura de SP não têm autorização para operar no Brasil
11/08/2017 - 8h11 em Novidades

Usados pela Prefeitura de São Paulo para monitorar aglomerações de pessoas e áreas para manter a segurança urbana, drones do programa Dronepol foram doados pela iniciativa privada, o que tem sido um carro-chefe da gestão João Doria.

Mas três das aeronaves controladas remotamente por controle que foram doadas por empresas privadas, como as recebidas pela Prefeitura durante sua ida à China, não podem ser operadas no Brasil por não contar com autorização da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel).

Anunciado em abril, o Dronepol recebeu doação inicial de cinco drones (um da Dahua Techonology e cinco da DJI, ambas companhias chinesas).

Desses, dois foram entregues à prefeitura e são usados para cumprir o cronograma de sobrevoos pela região da Cracolândia, áreas da Prefeitura que foram ocupadas ou invadidas e grandes aglomerações de pessoas, como manifestações, a Parada LGBT e a Marcha para Jesus.

Além desses aparelhos, a Receita Federal doou outras três máquinas, que passam por revisão, e a subprefeitura de Cidade Ademar recebeu outra aeronave.

 
 



Drone é usado em São Paulo no serviço de segurança pública

 

Pedido da China

 

 

Em visita à China, em julho passado, Doria pediu e recebeu outro drone da Dahua e mais um da Hikvision. Só que essas empresas não têm autorização para usar ou vender essas aeronaves no Brasil, emitidas pela Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel).

A Hikvision possui homologações, nome formal do documento de autorização, apenas para suas câmeras de vigilância.

Segundo as normas da agência, os aparelhos de radiofrequência devem passar por testes em institutos de pesquisa e desenvolvimento, que averiguam se os parâmetros técnicos estão em conformidade com o espectro brasileiro.

Se as ondas emitidas e recebidas por eles não causam interferência em outros equipamentos, como celulares, torres do controle aéreo ou antenas de rádio e TV.

 

Drone com adesivo da GCM

 

Os aparelhos não homologados podem ser apreendidos e seu uso está sujeito a multas que podem chegar a R$ 3 milhões.

José Roberto Rodrigues de Oliveira, secretário da pasta de Segurança Urbana, afirmou ao G1 que os drones em questão ainda não chegaram. “Na primeira doação, eram cinco drones. Mas chegaram só dois deles. Então há três pendentes. Eu conto com o que já tem, né? Como é doação, a gente espera que venha”.

Ainda assim, a prefeitura tem planos de executar algumas atividades que os operadores não podem fazer dadas as características dos drones em uso. “Esse que está vindo da Dahua tem zoom”, comenta o secretário. “De trinta vezes”, completa o coronel da reserva da Polícia Militar, Rogério Vieiria Peixoto, que coordena o programa.

O secretário diz que nunca viu o drone, “só no site”. Apesar disso, durante a apresentação do programa, em abril, o drone da Dahua foi coberto de adesivos da Guarda Civil Metropolitana e até fez voos de apresentação. A pasta informa, no entanto, que o drone foi pilotado por representantes da empresa chinesa e os adesivos foram colados apenas para a demonstração.

Procuradas pelo G1, as empresas falaram sobre as doações. A Dahua informa que a aeronave a ser doada, do modelo X820, já está no Brasil e passa pelos testes para obter a autorização da Anatel. “A operação será efetivada tão logo a homologação esteja concluída.”

A Hikvision diz que só vai procurar obter as autorizações necessárias após realizar “estudos e planejamentos necessários para adaptar o drone às necessidades da cidade de São Paulo”.

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